SIMULADO 8° e 9° ANOS
Leia o texto abaixo e responda às
questões.
O xá do bla-blá-blá
Era uma vez, no país de Alefbey, uma triste cidade, a
mais triste das cidades, uma cidade tão arrasadoramente triste que tinha
esquecido até seu próprio nome. Ficava à margem de um mar sombrio, cheio de
peixosos – peixes queixosos e pesarosos, tão horríveis de se comer que faziam
as pessoas arrotarem de pura melancolia, mesmo quando o céu estava azul.
Ao norte dessa cidade triste havia poderosas fábricas
nas quais a tristeza (assim me disseram) era literalmente fabricada, e depois
embalada e enviada para o mundo inteiro, que parecia sempre querer mais. Das
chaminés das fábricas de tristeza saía aos borbotões uma fumaça negra, que
pairava sobre a cidade como uma má notícia.
RUSHDIE, Salman. Haroun e o Mar de Histórias. São
Paulo: Companhia das Letras, 2010.
D11 Questão 01 ––––––––––––––––––––––––––◊
O trecho do texto
que indica uma consequência é
(A)
“... uma triste cidade, a mais triste das
cidades...”.
(B)
“... que tinha esquecido até seu próprio nome...”.
(C)
“saía aos borbotões uma fumaça negra...".
(D)
”...
que pairava sobre a cidade...”.
D19 Questão 02 ––––––––––––––––––––––––––◊
No
trecho “... uma cidade tão arrasadoramente triste...”, o uso da
palavra arrasadoramente sugere
(A)
intensificação da tristeza.
(B)
empobrecimento
da cidade.
(C)
descrição
de seu modo de ser.
(D)
crítica
aos habitantes da cidade.
Leia os textos.
TEXTO I
Texto II
Bom-senso no uso da
água
Antônio Aguiar
[...] Diante da
realidade de escassez da água nos grandes centros, nos quais Juiz de Fora se
inclui, percebemos a necessidade de incutir nos próprios cidadãos este processo
de avaliação e responsabilidade contra os gastos excessivos deste recurso
natural não renovável, que precisa ser usado com mais inteligência e menos
desperdício. Por isso, propusemos a lei que impede a lavagem de nossas calçadas
com água tratada.
No entanto,
ressaltamos que o bom-senso precisa estar sempre à frente. Quando a lei propõe
a proibição deste comportamento, é porque a água tem sido usada comumente no
lugar da vassoura para retirar a poeira dos nossos passeios. Quantos de nós já
não nos indignamos com este comportamento em nossas ruas? Quantas vezes a
própria imprensa já não realizou flagrantes deste comportamento, que não pode
ser mantido diante da nova realidade mundial e que o Brasil já enfrenta, mesmo
sendo a nação que possui 12% de toda a água doce superficial do planeta,
recurso este que não é maior do que 3% de toda a água do planeta Terra? [...]
Disponível
em http://www.tribunademinas.com.br/bom-senso-no-uso-da-agua/.
Acesso em 06/04/2024.
D20 Questão 03 ––––––––––––––––––––––––––◊
Esses dois textos tratam
(A)
da quantidade de água
no planeta.
(B)
do percentual de água
doce no Brasil.
(C)
da falta de
consciência no uso da água.
(D)
da lei que proíbe o
uso de água tratada
Leia o texto abaixo e
responda à questão.
É preciso se
levantar cedo?
A partir do momento em
que a lógica popular desenrola diante de nós sua sequência de surpresas, é
inevitável que vejamos surgir a figura do grande contador de histórias turco,
Nasreddin Hodja. Ele é o mestre nessa matéria. Aos seus olhos a vida é um despropósito
coerente, ao qual é fundamental que nós nos acomodemos.
Deste modo, quando era
jovem ainda, seu pai um dia lhe disse:– Você devia se levantar cedo, meu filho.
– E por quê, pai? –
Porque é um hábito muito bom. Um dia eu me levantei ao amanhecer e encontrei um
saco de ouro no meu caminho. – Alguém o tinha perdido na véspera, à noite?
– Não, não – disse o
pai. – Ele não estava lá na noite anterior. Senão eu teria percebido ao voltar
para casa.
– Então – disse
Nasreddin –, o homem que perdeu o ouro tinha se levantando ainda mais cedo.
Você está vendo que esse negócio de levantar cedo não é bom para todo mundo. (CARRIÈRE, Jean-Claude. O círculo dos mentirosos: contos filosóficos do mundo inteiro.
São Paulo: Códex, 2004.)
D15 Questão 04––––––––––––––––––––––––––◊
O uso do vocábulo “então”,
que abre a fala final de Nasreddin, serve para que ele apresente ao seu pai
(A) a conclusão que tirou da resposta.
(B)
a hora de encerrarem
aquela conversa.
(C)
a justificativa para
acordar mais tarde.
(D)
a hipótese de que
estava com a razão.
Leia o texto abaixo e responda à questão.
Nova
lei ortográfica chega à escrita braile
Todas as mudanças promovidas pelo acordo ortográfico serão adotadas
pelo português convertido em braile, sistema criado pelo francês Louis Braille
para pessoas com deficiência visual. O acordo influencia o braile, pois, nesse
sistema, as palavras são escritas letra a letra, e cada vocábulo tem até seis
pontos em relevo. Um cego treinado é capaz de detectar a ausência ou a presença
do trema em determinadas palavras, assim como hifens, acentos e pontuações. Com
isso, o Ministério da Educação já prevê a adaptação de livros didáticos em
braile à nova grafia.
Língua
Portuguesa. nº
41. São Paulo: Segmento, mar. 2009, p. 9.
D09 Questão 05––––––––––––––––––––––––––◊
A informação principal
desse texto é:
(A) o sistema braile adotará todas as mudanças ortográficas.
(B)
o sistema braile foi
criado pelo francês Louis Braille.
(C)
o MEC está atento ao
problema da leitura dos cegos.
(D) o cego treinado
pode detectar a presença do trema.
Leia o texto abaixo e responda à questão.
De quem é a culpa
pelo aquecimento global?
Camila Camilo
Para os pesquisadores
do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), do Programa das
Nações Unidas para o Meio Ambiente, a Terra está ficando mais quente e as
chances da culpa ser do homem são grandes. Mais precisamente de dois terços ou mais,
segundo relatório lançado em 2011. Isso porque a emissão excessiva de gases
(como dióxido de carbono, metano e óxido nitroso) pelas indústrias intensifica
um fenômeno natural, o efeito estufa. Graças a ele o calor dos raios solares é
retido na atmosfera terrestre e a temperatura é mantida a níveis que permitem a
existência de vida. O problema é quando estes gases ocorrem em excesso e retêm
mais calor do que o necessário, causando o que se convencionou chamar de
aquecimento global.
Porém, esta não é uma
ideia unânime. Há especialistas que acreditam que a temperatura de fato está
subindo, mas não é possível precisar se as causas estão na ação humana, ou se
esta mudança faz parte de um processo natural vivido pela Terra. A geógrafa Daniela
de Souza Onça, por exemplo, defendeu em sua tese de doutorado na Universidade
de São Paulo (USP) que o aquecimento global não existe. Para ela, o clima está
em permanente transformação e suas alterações não podem ser atribuídas
exclusivamente às variações das concentrações dos gases na atmosfera. [...] Disponível
em:
<http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-2/quem-culpa-pelo-aquecimento-global-682906.shtml.>
Acesso em: 18 abr. 2023.
D21 Questão 06––––––––––––––––––––––––––◊
As
opiniões dos pesquisadores do Painel Intergovernamental sobre Mudanças
Climáticas (IPCC) e da geógrafa Daniela de Souza Onça sobre o aquecimento
global são
(A) contrárias.
(B) excludentes.
(C) semelhantes.
(D) complementares.
Leia o texto abaixo e responda à questão.
Quanto exagero!
Walcyr Carrasco
[...]
Acho normal que
meninas queiram imitar as mães.
Já vi garotinhas se
equilibrando em cima de sapatos de salto, com o rosto borrado de batom, após
atacar o armário e a penteadeira materna. Meninos também gostam de se vestir
como os pais. Eu mesmo, quando criança, me senti orgulhosíssimo quando ganhei
meu primeiro terninho com gravata. Um adulto! [...]
Já soube de pais
revoltados com escolas por terem adotado livros com um mínimo de ousadia. ONGs
tratam de defender as crianças da exposição a temas violentos ou eróticos nos
meios de comunicação. Mas não conheço nenhuma que critique a moda infantil.
Mais que isso: os pais parecem gostar dela.
E os valores do
universo adulto se refletem no jeito de vestir dos filhos. [...]
Assisto admirado à
crescente “adultização” da moda infantil. E, em consequência, sua
sensualização.
[...] Podem me chamar
de antiquado, mas o que há na cabeça das mães que vestem suas meninas assim?
Em geral, quando se
toca no tema, a resposta é genérica. — É culpa da moda! — disse uma amiga.
Como se a moda fosse
uma entidade à parte, à qual devêssemos obediência absoluta. Mas a moda somos
nós. Ninguém produziria essas peças se não houvesse quem as comprasse.
Ainda acredito que
cada fase da vida deve ser vivida em seu esplendor. A infância é um momento de
formação. De descoberta e construção de valores para a vida. Sei que os pais
agem de maneira inocente. A não ser em casos muito raros, não há intenção malévola.
Mas o que esperar dessas crianças que desde cedo são levadas a exercer a
sensualidade? E a que riscos estão expostas?
Às vezes, acho que
deveria haver uma escola para pais. William
Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães – 9 ed. reform. p. 63 – São Paulo:
Saraiva, 2015. [Adaptado]
D07 Questão 07––––––––––––––––––––––––––◊
Qual
trecho apresenta a tese defendida pelo autor do texto?
(A) “Acho normal que meninas queiram imitar as mães.”
(B) “Meninos também gostam de se vestir como os pais.”
(C) “(...) os valores do universo adulto se refletem no jeito
de vestir dos filhos.”
(D) “Já soube de pais revoltados com escolas por terem adotado livros
com um mínimo de ousadia.”
Leia o texto abaixo e responda à questão.
Vampiro Enganado
Ingredientes
1 copo de suco de uva;
1 cenoura raspada e cortada em pedaços;
1 tomate maduro;
1 laranja descascada e cortada em pedaços, sem semente.
Modo de Fazer
1 – Coloque no liquidificador a laranja e a cenoura e triture bem.
2 – Acrescente o tomate e o suco de uva.
3 – Junte dois ou três cubos de gelo e uma colher de sopa de açúcar.
4 – Desligue o aparelho e passe a bebida por um coador para retirar as
fibras que tenham ficado.
Sirva em copos altos. ZIRALDO.
O livro de receitas do Menino
Maluquinho. São Paulo: Melhoramentos, 2000.
D04 Questão 08 ––––––––––––––––––––––––––◊
Os algarismos 1, 2, 3 e 4 do “Modo de Fazer” indicam a
(A)
ordem das velocidades do liquidificador.
(B)
ordem das tarefas a serem executadas.
(C)
quantidade de produtos utilizados.
(D) quantidade de vezes que se liga o aparelho.
Leia o texto abaixo e responda à questão.
Disponível
em:<http://portal.saude.gov.br/saude/campanha/cartaz4.jpg>. Acesso em: 3
jun. 2025
D17 Questão 09 ––––––––––––––––––––––––––◊
Nesse texto, a utilização dos dois-pontos serve para
(A)
apresentar uma citação.
(B)
indicar uma fala.
(C)
introduzir um enunciado.
(D) introduzir
um esclarecimento.
Leia os textos abaixo e responda à
questão.
Texto 1
A ascensão do treinamento
Ao longo de décadas, a receita mais usada para ganhar competitividade
frente à concorrência foi investir no aprimoramento e na qualidade de produtos
e de serviços. Hoje, na visão dos empresários, o conhecimento e a qualificação
da equipe passaram a ser tanto ou mais importante que os patrimônios materiais.
Por isso, investir na prata da casa é ordem para sair na frente. E não se trata
de benevolência. É questão de sobrevivência. [...]
Para compensar as deficiências do mercado de trabalho, 76% dos
empresários investem em programas de treinamento interno, e 60% subsidiam
cursos externos para os seus funcionários.
Há também os que desenvolvem programas de formação em consórcio com
outras companhias e apostam em parcerias com instituições de ensino nas quais
captam talentos.
FREIRE, Priscila. In: Trabalho &
Formação Profissional. Correio Braziliense, 18 jul. 2010, p. 1.
Texto2
Inteligência emocional no trabalho
Quando observamos aqueles profissionais que se destacam no ambiente de
trabalho, que são promovidos ou que são convidados para participar das melhores
oportunidades, percebemos que não é somente a sua qualificação técnica que os
diferencia dos demais.
Então, além de investir em sua qualificação acadêmica, o que é
importante para ajudar no seu desenvolvimento profissional? Uma pesquisa
realizada pela Universidade de São Paulo (USP) analisou o desempenho de mais de
100 profissionais em diferentes estágios da carreira e concluiu que tão
importante quanto ter uma boa formação acadêmica e uma capacidade de análise e
de resolução de problemas é a competência interpessoal, já que os profissionais
com essas características têm maior chance de serem avaliados por seus
superiores como muito bons ou excelentes.
QUIRINO, José. In: Trabalho &
Formação Profissional. Correio Braziliense, 18 jul. 2010, p. 2.
D20 Questão 10 ––––––––––––––––––––––––––◊
Esses dois textos, em relação ao assunto do mercado de trabalho, são
(A) apelativos. (B) complementares.
(C) divergentes. (D) genéricos.
Leia o texto abaixo e responda à questão.
D05 Questão 11 ––––––––––––––––––––––––––◊
No último quadrinho, a expressão do gato sugere
(A) cansaço.
(B) desprezo.
(C) esperteza. (D) reflexão.
Leia o texto abaixo e responda à questão.
A onça
Dos moradores do sítio de Dona Benta, o mais
andejo era o Marquês de Rabicó. Conhecia todas as florestas, inclusive o
capoeirão dos taquaruçus, mato muito cerrado onde Dona Benta não deixava que os
meninos fossem passear. Certo dia em que Rabicó se aventurou nesse mato em
procura das orelhas-de-pau que crescem nos troncos podres, parece que as coisas
não lhe correram muito bem, pois voltou na volata.
– Que aconteceu? – perguntou Pedrinho, ao
vê-lo chegar todo arrepiado e com os olhos cheios de susto. – Está com cara de
marquês que viu onça...
– Não vi, mas quase vi! – respondeu Rabicó,
tomando fôlego. – Ouvi um miado esquisito e dei com uns rastos mais esquisitos
ainda. Não conheço onça, que dizem ser um gatão assim do tamanho dum bezerro.
Ora, o miado que ouvi era de gato, mas mais forte, e os rastos também eram de
gato, mas muito maiores. Logo, era onça.
Lobato , Monteiro. As caçadas de Pedrinho.
S. Paulo: Brasiliense, 1977. 27 ed.
D02 Questão 12 ––––––––––––––––––––––––––◊
Em “Não conheço onça, que dizem ser um gatão assim do tamanho dum
bezerro.”, a palavra destacada se refere a
(A)
gatão.
(B) onça.
(C)
Pedrinho.
(D)
Rabicó.
Leia o texto abaixo e responda às
questões.
De onde vieram os tomates?
A história do tomate é cheia de rumores, boatos e especulações, mas
uma coisa é certa: essa fruta vermelha favorita de muita gente (sim, o tomate é
uma fruta) não tem sua origem na Itália. Apesar do fato de ser um ingrediente
essencial para massas, pizzas e saladas, o tomate é originário do México e da
América Central.
O tomate em sua forma original, no entanto, não tinha nada a ver com
esse globo vermelho que nós conhecemos e adoramos hoje em dia. Tratava-se de
uma pequena fruta perfumada (imagine algo como o tomate cereja) que os grupos
nativos americanos combinavam com “ahi”, um tipo de pimenta para fazer um molho
bem temperado. Embora os nativos americanos o tenham consumido por séculos, os
tomates rapidamente ganharam uma má reputação nas Américas. Os colonizadores
acreditavam que o tomate era venenoso e nenhum ascendente europeu se atreveu a
comer a fruta até o início do século 19 – com medo de morrer.
Na verdade, credita-se à Fundação Americana Padre Thomas Jefferson o
início do cultivo de tomate para consumo nos Estados Unidos. Os registros de
Jefferson contam que ele plantava a fruta todos os anos em seu “Garden
Kalendar” que manteve de 1809 a 1824.
Talvez essa seja a primeira referência escrita do cultivo de tomate
pelos colonizadores do Novo Mundo e que foi publicada nas “Notas sobre o Estado
da Virgínia”, em 1787. Seus registros meticulosos indicavam que ele
frequentemente vendia seus tomates em mercados de Washington, além de
apresentar diferentes usos para o mesmo em sua coleção pessoal de receitas. Disponível
em:<http://lazer.hsw.uol.com.br/origem-tomates.htm>. Acesso em: 13 jan. 2011. Fragmento.
D17 Questão 13 ––––––––––––––––––––––––––◊
No trecho “(sim, o tomate é uma fruta)”, os parênteses indicam
(A)
especificação de um fato.
(B)
conceito de um especialista.
(C)
observação irônica.
(D)
comentário do autor.
D01 Questão 14 ––––––––––––––––––––––––––◊
O que motivou
os europeus a deixarem de considerar o tomate venenoso?
(A) A influência de Thomas Jefferson e seus registros de cultivo.
(B) A descoberta de novas espécies de tomates coloridos.
(C) O uso do tomate em medicamentos.
(D) O comércio intenso com a Itália.
D04 Questão 15 ––––––––––––––––––––––––––◊
Assinale o
trecho que apresenta uma opinião do autor:
(A) “O tomate é originário do México e da América Central.”
(B) “Trata-se de uma pequena fruta perfumada.”
(C) “Os colonizadores acreditavam que o tomate era venenoso.”
(D) “Jefferson plantava a fruta todos os anos em seu ‘Garden Kalendar’.”
D07 Questão 16 ––––––––––––––––––––––––––◊
No trecho “boatos e especulações”, a palavra
especulações significa:
(A) ideias sem comprovação.
(B) teorias científicas.
(C) relatos históricos.
(D) dúvidas matemáticas.
Leia o texto abaixo e responda às
questões.
Consumo, logo existo
Ao visitar em agosto a admirável obra social de Carlinhos Brown, no
Candeal, em Salvador, ouvi-o contar que, na infância vivida ali na pobreza, ele
não conheceu a fome. Havia sempre um pouco de farinha, feijão, frutas e
hortaliças. “Quem trouxe a fome foi a geladeira”, disse.
O eletrodoméstico impôs à família a necessidade do supérfluo:
refrigerantes, sorvetes etc.
A economia de mercado, centrada no lucro e não nos direitos da
população, nos submete ao consumo de símbolos. O valor simbólico da mercadoria
figura acima de sua utilidade.
Assim, a fome a que se refere Carlinhos Brown é inelutavelmente
insaciável.
É próprio do humano – e nisso também nos diferenciamos dos animais –
manipular o alimento que ingere. A refeição exige preparo, criatividade, e a
cozinha é laboratório culinário, como a mesa é missa, no sentido litúrgico. A
ingestão de alimentos por um gato ou cachorro é um atavismo desprovido de arte.
Entre humanos, comer exige um mínimo de cerimônia: sentar à mesa coberta pela
toalha, usar talheres, apresentar os pratos com esmero e, sobretudo, desfrutar
da companhia de outros comensais. Trata-se de um ritual que possui rubricas
indeléveis. Parece-me desumano comer de pé ou sozinho, retirando o alimento
diretamente da panela.
Marx já havia se dado conta do peso da geladeira. Nos “Manuscritos
econômicos e filosóficos” (1844), ele constata que “o valor que cada um possui
aos olhos do outro é o valor de seus respectivos bens. Portanto, em si o homem
não tem valor para nós.” O capitalismo de tal modo desumaniza que já não somos
apenas consumidores, somos também consumidos. As mercadorias que me revestem e
os bens simbólicos que me cercam é que determinam meu valor social. Desprovido
ou despojado deles, perco o valor, condenado ao mundo ignaro da pobreza e à
cultura da exclusão.
BETO, Frei. Disponível em: <http://www.jurisciencia.com/artigos/frei-betto-consumo-logo-existo/206/>.
Acesso em: 1 mar. 2011.
D02 Questão 17 ––––––––––––––––––––––––––◊
Nesse texto, a respeito do consumismo, Carlinhos Brown e Marx
apresentam pontos de vista
(A) complementares.
(B) conflitantes.
(C) diferentes.
(D)
incoerentes.
D06 Questão 18 ––––––––––––––––––––––––––◊
O tema central
do texto é:
A) A importância da alimentação saudável na infância.
B)
O impacto do consumo exagerado na vida humana e na sociedade.
C) A necessidade de preservar as tradições culinárias brasileiras.
D) O papel da geladeira como símbolo de progresso e conforto
D03 Questão 19 ––––––––––––––––––––––––––◊
Ao afirmar
“Quem trouxe a fome foi a geladeira”, Carlinhos Brown quer dizer que:
(A) A geladeira estragou a comida das famílias pobres.
(B) O eletrodoméstico fez as pessoas valorizarem alimentos artificiais.
(C)
O consumo passou a ser guiado pelo desejo e não pela necessidade.
(D) As pessoas deixaram de cozinhar com criatividade.
D09 Questão 20 ––––––––––––––––––––––––––◊
Segundo o
texto, o capitalismo faz com que as pessoas:
A) Tenham acesso igualitário aos bens de consumo.
B)
Sejam valorizadas mais pelo que possuem do que pelo que são.
C) Se libertem das necessidades materiais.
D) Desprezem completamente os bens simbólicos.
Leia o texto abaixo e responda à questão.
D16 Questão 21––––––––––––––––––––––––––◊
Esse
texto é engraçado, porque
(A)
a menina grita com o
menino.
(B)
a reação
das meninas comprova a tese do menino.
(C)
o menino grita perto do
ouvido da menina.
(D)
o modo de agir da
menina revela seu caráter.
Leia o texto abaixo e responda à questão.
D09 Questão 22 ––––––––––––––––––––––––––◊
No trecho “Por isso,
reserve um pouco do seu sábado para combater os criadouros.”, a expressão “por
isso” estabelece uma relação de
(A)
concessão.
(B)
conclusão.
(C) causalidade.
(D) conformidade.
Leia o texto abaixo e responda à questão.
A geração “Eu”
O iPod pode
formar crianças sem interesse pelo mundo
Os tocadores de
música digital vêm causando danos aos usuários – e não se fala aqui de
problemas auditivos. Os jovens andam tão entretidos com suas músicas que deixam
de interagir com os demais. É comum ver adolescentes fazendo os deveres, no
supermercado com os pais e mesmo entre amigos, com os fones nos ouvidos. [...]
A psicóloga
americana Jean Twenge deu até um nome para os jovens entre 18 e 36 anos, mais
individualistas que as gerações anteriores: a Generation Me (Geração
Eu), título de seu livro. Para os mais novos, nascidos entre 1991 e 1999,
influenciados pelas inovações tecnológicas, ela propõe outra denominação: a iGeneration.
Pode-se fazer
algo? Sim. Os pais devem incentivar as atividades coletivas e limitar o tempo
passado com fones de ouvido – duas horas de egoísmo é um bom limite.
Revista da Semana. 14 jan. 2008,
p. 21. Fragmento.
D07 Questão 23 ––––––––––––––––––––––––––◊
O texto defende a
ideia de que
(A)
as pessoas jovens têm sérios problemas auditivos.
(B)
os
iPods contribuem para a alienação dos jovens.
(C)
os adolescentes são bastante individualistas.
(D)
os jovens de hoje andam com fones de ouvido.
D04 Questão 24 ––––––––––––––––––––––––––◊
Assinale
a alternativa que apresenta uma opinião expressa no texto:
A) “Os tocadores de música digital vêm causando danos aos usuários.”
B) “Os jovens andam tão entretidos com suas músicas
que deixam de interagir com os demais.”
C) “A psicóloga americana Jean Twenge deu até um nome para os jovens entre 18 e
36 anos.”
D) “O livro de Jean Twenge chama-se Generation Me.”
D09 Questão 25 ––––––––––––––––––––––––––◊
Segundo
o texto, o uso exagerado dos tocadores de música faz com que os jovens:
A) Fiquem mais atentos às conversas com os pais.
B) Desenvolvam maior interesse pelo mundo ao redor.
C) Deixem de interagir com as pessoas ao seu redor.
D) Aprendam a dividir melhor seu tempo.
D10 Questão 26 ––––––––––––––––––––––––––◊
O pronome “ela”, no trecho “influenciados pelas inovações
tecnológicas, ela propõe outra denominação”, refere-se a:
A) A geração entre 18 e 36 anos.
B) A psicóloga americana Jean Twenge.
C) A revista da semana.
D) A iGeneration.





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