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Simulado – “A Casa da Gritaria” (Monteiro Lobato)
–
Língua Portuguesa (SPAECE)
A Casa da Gritaria - Emília no
país da gramática
Monteiro
Lobato
—
Que barulhada! — exclamou Emília, ao aproximar-se da Casa das INTERJEIÇÕES. —
Será algum viveiro de papagaios?
—
São elas. Aquilo lá dentro parece um hospício, porque as Interjeições não
passam de gritinhos.
—
Gritos de quê?
— De tudo. Gritos de Dor, de Alegria, de Aplauso...
A
Casa das Interjeições parecia mesmo um viveiro de papagaios. Assim que entrou,
Emília viu passarem correndo dois gemidinhos de DOR, as Interjeições Ai! e Ui!
Logo em seguida viu, a dar pulos, três gritinhos de ALEGRIA: — Ah! Oh! Eh!
Depois viu três de nariz comprido, as Interjeições de DESEJO: — Tomara! Oh!
Oxalá! E viu três num entusiasmo doido — as Interjeições de ANIMAÇÃO: — Eia!
Sus! Coragem! E viu quatro de APLAUSO, batendo palmas: — Viva! Bravo! Bem!
Apoiado!
E viu mais quatro com caras de horror e nojo, que eram as Interjeições de
AVERSÃO: — Ih, Xi! Irra! Apre! E viu algumas de APELO, chamando
desesperadamente alguém:
—
Olá! Psiu! Alô! E viu duas de SILÊNCIO, encolhidinhas, de dedo na boca: — Psiu!
Caluda! E viu uma bem velhinha, de ADMIRAÇÃO — Cáspite!
—
Que baitaquinhas! — comentou Emília, tapando os ouvidos.
— Já estou tonta, tonta...
—
E há ainda aqui — disse o Verbo Ser — esta pequena caixa com as ONOMATOPÉIAS,
OU Interjeições IMITATIVAS de certos sons.
Emília
viu nessa caixinha as Onomatopeias Chape!, que imita o som do animal patinhando
n'água. E viu Zás-Trás!, que imita movimento rápido. E viu também o célebre
Nhoque!, muito usado por Pedrinho para imitar bote de cachorro
bravo, E viu Tchibum! — que imita barulho duma coisa que
cai n'água. E viu Trrrlin!, que imita som de esporas no
assoalho, E viu Tique-Taque, som de relógio. E ToqueToque, som de
batida em porta. E viu Coin, Coin, Coin, som de Rabicó quando leva pelotadas do
bodoque de Pedrinho.
—
Sim, senhor! — disse Emília, retirando-se. — São muito galantinhas, mas deixam
uma pessoa atordoada. Lá no sítio usamos muito algumas destas interjeições, e
ainda várias outras inventadas por nós. Tia Nastácia é uma danada para inventar
Interjeições. Danada para tudo, aquela negra...
E,
mudando de tom:
—
Por que Vossa Serência não aparece por lá, um dia, para uma visita a Dona
Benta? Por ser muito velho? Ora, deixe-se disso!... Estamos lá acostumados com
a velhice. Dona Benta é velha e Tia Nastácia também. Cachorro bravo?... Oh, é
bicho que nunca houve no sítio. Só temos Rabicó, que é um marquês que não
morde, e a Vaca Mocha, que não tem chifre — e agora este Quindim, que é a
pérola dos gramáticos.
—
E há ainda mais coisas por lá — continuou Emília, depois duma pausa. — Há os
famosos bolinhos de Tia Nastácia, feitos de polvilho, leite, uma colherzinha de
sal, etc. Depois ela frita. Quando Rabicó sente de longe o cheiro desses
bolinhos, vem na volada. Mas não pilha um só. É comida de gente e não de...
marquês.
E
finalizou, com uma piscadinha marota:
—
Dona Benta é viúva. Vá, que até pode sair casamento...
O
Verbo Ser olhava para Emília com os olhos arregalados. Ele não sabia a história
da célebre torneirinha de asneiras...
OBRA
INFANTO-JUVENIL DE MONTEIRO LOBATO. Edição do Círculo do Livro. Emília no País
da Gramática. As figuras de sintaxe. https://www.fortaleza.ce.gov.br.
1. (D1) O que motivou Emília a
exclamar “Que barulhada!” ao se aproximar da Casa das Interjeições?
A) Ela
estava com dor de cabeça.
B) Havia uma grande confusão dentro da casa.
C) O Verbo Ser falava muito alto.
D) As interjeições estavam dormindo.
Gabarito: B
2. (D2) A comparação feita por
Emília — “Será algum viveiro de papagaios?” — sugere que:
A) As
interjeições eram coloridas.
B) As interjeições repetiam sons e faziam muito barulho.
C) As interjeições eram aves falantes.
D) A casa era cheia de gaiolas.
Gabarito: B
3. (D5) No trecho “as Interjeições
não passam de gritinhos”, a palavra “gritinhos” expressa:
A) Afeto e
carinho.
B) Diminuição e ironia.
C) Medo e respeito.
D) Raiva e agressividade.
Gabarito: B
4. (D3) De acordo com o texto, o que
são interjeições?
A) Palavras
que indicam ação.
B) Termos que nomeiam seres e objetos.
C) Expressões que indicam emoções e sentimentos.
D) Palavras usadas para ligar orações.
Gabarito: C
5. (D6) A interjeição “Viva!” é
classificada no texto como expressão de:
A) Alegria.
B) Desejo.
C) Aplauso.
D) Animação.
Gabarito: C
6. (D7) O trecho “Já estou tonta,
tonta...” expressa que Emília estava:
A) Encantada
com os sons.
B) Cansada do barulho.
C) Feliz com o que viu.
D) Doente.
Gabarito: B
7. (D9) As Onomatopeias apresentadas
no texto imitam:
A)
Sentimentos humanos.
B) Movimentos e sons.
C) Palavras inventadas.
D) Expressões de alegria.
Gabarito: B
8. (D2) Emília considera as
interjeições “baitaquinhas”. Esse termo indica que ela:
A) Despreza
as interjeições.
B) Admira e acha-as engraçadas.
C) Não entende o que são.
D) Está irritada.
Gabarito: B
9. (D3) No texto, o personagem
“Verbo Ser” representa:
A) Uma
pessoa real.
B) Um elemento gramatical personificado.
C) Um animal falante.
D) Um professor humano.
Gabarito: B
10. (D13) Quando Emília convida o
Verbo Ser para visitar o sítio, ela demonstra:
A) Orgulho e
hospitalidade.
B) Tristeza e solidão.
C) Medo e desconfiança.
D) Raiva e desprezo.
Gabarito: A
11. (D11) O texto apresenta
elementos de fantasia porque:
A) Trata de
animais falantes e objetos mágicos.
B) Mostra seres gramaticais com comportamento humano.
C) Narra fatos históricos.
D) Relata um acontecimento real.
Gabarito: B
12. (D12) A função das onomatopeias
no texto é:
A) Indicar
tempo e lugar.
B) Reproduzir sons do mundo real.
C) Criar novas palavras.
D) Descrever sentimentos.
Gabarito: B
13. (D14) O humor do texto está
presente principalmente:
A) Na
crítica de Emília às interjeições.
B) No exagero e nas comparações engraçadas.
C) Na tristeza das personagens.
D) Na linguagem formal e séria.
Gabarito: B
14. (D16) O público-alvo da obra
“Emília no País da Gramática” é:
A) Adultos
estudiosos da língua.
B) Crianças e jovens em fase escolar.
C) Professores universitários.
D) Jornalistas.
Gabarito: B
15. (D4) O trecho “Ele não sabia a
história da célebre torneirinha de asneiras...” sugere:
A) Que o
Verbo Ser era muito inteligente.
B) Que o Verbo Ser desconhecia o jeito falante de Emília.
C) Que Emília era tímida.
D) Que o Verbo Ser a admirava.
Gabarito: B
16. (D2) Em “lá no sítio usamos
muito algumas destas interjeições”, Emília se refere:
A) Ao local
de origem das interjeições.
B) À vida cotidiana no Sítio do Picapau Amarelo.
C) À escola onde estudava.
D) À Casa das Onomatopeias.
Gabarito: B
17. (D10) A fala de Emília “Dona
Benta é viúva. Vá, que até pode sair casamento...” revela:
A)
Brincadeira e irreverência.
B) Preocupação com Dona Benta.
C) Ironia e zombaria.
D) Tristeza e saudade.
Gabarito: A
18. (D15) No texto, os sinais de
exclamação são usados para:
A) Indicar
pausas.
B) Expressar emoção e intensidade.
C) Marcar citações.
D) Indicar dúvida.
Gabarito: B
19. (D1) O texto pode ser
classificado como:
A) Fábula.
B) Crônica.
C) Conto infantojuvenil com elementos didáticos.
D) Poema narrativo.
Gabarito: C
20. (D17) A principal intenção de
Monteiro Lobato nesse trecho é:
A) Ensinar
regras gramaticais de forma divertida.
B) Criticar o uso da linguagem popular.
C) Explicar a origem das interjeições.
D) Relatar uma visita de Emília ao sítio.
Gabarito: A
✅ Gabarito geral:
1B • 2B • 3B • 4C • 5C • 6B • 7B • 8B • 9B • 10A • 11B • 12B • 13B • 14B • 15B
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