quinta-feira, 3 de julho de 2025

ATIVIDADE AVALIATIVA DE PORTUGUÊS - FOCO NO SPAECE

Conto: Os sete corvos

Irmãos Grimm

    Um homem tinha sete filhos e nunca tinha uma filha, por mais que desejasse. Até que, finalmente, sua mulher lhe deu esperanças de novo e, quando a criança veio ao mundo, era uma menina. A alegria foi enorme, mas a criança era franzina e miúda e, por causa dessa fraqueza, foi preciso que lhe dessem logo os sacramentos. O pai mandou um dos filhos ir correndo até a fonte, buscar água para o batismo. Os outros seis foram atrás do irmão e, como cada um queria ser o primeiro a puxar a água para cima, acabaram deixando o balde cair no fundo do poço. Aí eles ficaram assustados, sem saber o que deviam fazer, e nenhum dos sete tinha coragem de voltar para casa. Foram ficando por lá, sem sair do lugar.

        Como estavam demorando muito, o pai foi ficando cada vez mais impaciente e disse: – Na certa ficaram brincando e se esqueceram de voltar, aqueles moleques levados...

        Começou a ficar com medo de que a menininha morresse sem ser batizada e, com raiva, gritou:

        -- Tomara que eles todos virem corvos!

        Mal o pai acabou de dizer essas palavras, ouviu um barulho de asas batendo no ar, por cima da cabeça. Levantou os olhos e viu sete corvos negros como carvão. Voando de um lado para outro.

        Os pais ficaram tristíssimos, mas não conseguiram fazer nada para quebrar o encanto.

        Felizmente, puderam se consolar um pouco com sua filhinha querida, que logo recuperou as forças e cada dia ia ficando mais bonita. Durante muito tempo, ela ficou sem saber que tinha tido irmãos, porque os pais tinham o maior cuidado de nunca falar nisso. Mas um dia, ela ouviu por acaso umas pessoas comentando que era uma pena que uma menina assim tão bonita como ela fosse a responsável pela infelicidade dos irmãos.

        A menina ficou muito aflita e foi logo perguntar aos pais se era verdade que ela já tinha tido irmãos, e o que tinha acontecido com eles. Os pais não puderam continuar guardando segredo. Mas explicaram que o que aconteceu tinha sido um desígnio do céu, e que o nascimento dela não tinha culpa de nada. Só que a menina começou a ter remorsos todos os dias e resolveu que precisava dar um jeito de livrar os irmãos do encanto. Não sossegou enquanto não saiu escondida, tentando encontrar algum sinal deles em algum lugar, custasse o que custasse. Não levou quase nada: só um anelzinho como lembrança dos pais, uma garrafinha d'água para matar a sede e uma cadeirinha para descansar.

        Andou, andou, andou, cada vez para mais longe, até o fim do mundo. Aí, ela chegou junto do sol. Mas ele era quente demais e muito terrível, porque comia os próprios filhos. Ela saiu correndo, fugindo, para bem longe, até que chegou junto da lua. Mas a lua era fria demais e muito malvada e cruel. Assim que viu a menina, disse:

        -- Huuummm sinto cheiro de carne humana...

        A menina saiu correndo bem depressa, fugindo para bem longe, até que chegou junto das estrelas.

        As estrelas foram muito amáveis e boazinhas com ela, cada uma sentada em uma cadeirinha separada. Então, a estrela da manhã se levantou, deu um ossinho de galinha à menina e disse:

        -- Sem este ossinho, você não vai conseguir abrir a montanha de vidro. E é na montanha de vidro que estão os seus irmãos.

        A menina pegou no ossinho, embrulhou-o com todo cuidado num lenço e continuou seu caminho, até que chegou à montanha de vidro. A porta estava bem fechada, trancada com chave, e ela resolveu pegar o ossinho de galinha que estava guardado no lenço. Mas quando desembrulhou, viu que não tinha nada dentro do pano e que ela tinha perdido o presente que as boas estrelas tinham dado. Ficou sem saber o que fazer. Queria muito salvar os irmãos, mas não tinha mais a chave da montanha de vidro. Então, a boa irmãzinha pegou uma faca, cortou um dedo mindinho, enfiou na fechadura e deu um jeito de abrir a porta. Assim que entrou, um gnomo veio ao seu encontro e lhe perguntou:

        -- Minha filha, o que é que você está procurando?

        -- Procuro meus irmãos, os sete corvos – respondeu ela. O gnomo então disse:

        -- Os senhores Corvos não estão em casa, mas se quiser esperar até que eles cheguem, entre e fique à vontade.

        Lá em cima, o gnomo pôs a mesa para o jantar dos corvos, com sete pratinhos e sete copinhos. A irmã então comeu um pouco da comida de cada prato e bebeu um gole de cada copo. Mas no último, deixou cair o anelzinho que tinha trazido.

        De repente, ouviu-se nos ares um barulho de gritos e batidas de asas. Então o gnomo disse:

        -- São os senhores Corvos que estão chegando.

        Eram eles mesmos, com fome e com sede. Foram logo em direção aos pratos e copos. E, um por um, foram gritando:

        -- Quem comeu no meu prato? Quem bebeu no meu copo? Foi boca de gente, foi boca de gente...

        Mas quando o sétimo corvo acabou de esvaziar seu copo, o anel caiu lá de dentro. Ele olhou bem e reconheceu que era um anel do pai e da mãe deles, e disse:

        -- Quem dera que fosse a nossa irmãzinha, porque aí a gente ficava livre.

        Quando a menina, que estava escondida atrás da porta, ouviu esse desejo, apareceu de repente e todos os corvos viraram gente outra vez. Começaram todos a se abraçar e se beijar e a se fazer mil carinhos e depois voltaram para casa muito felizes.

         Fonte: Os sete corvos. In: ABREU, Ana Rosa etal. Alfabetização: Livro do aluno. Brasília, DF: Fundescola/SEF/MEC, 2000. p. 46.

 

 

QUESTÕES DE MÚLTIPLA ESCOLHA - CONTO: OS SETE CORVOS (IRMÃOS GRIMM)

Questão 01 – D01 Qual era o maior desejo do pai, no início do conto?

A) Que seus filhos voltassem logo da fonte

B) Ter uma filha menina
C) Que os filhos se tornassem corvos
D) Que a filha fosse batizada por um padre especial
Gabarito: B

Questão 02 – D06 Por que os meninos demoraram a voltar da fonte? 

A) Estavam perdidos na mata
B) Foram atacados por um corvo
C) Deixaram o balde cair e ficaram com medo de voltar
D) Esqueceram o caminho de casa
Gabarito: C

Questão 03 – D02 Qual foi a consequência imediata do desejo raivoso do pai? 

A) A filha desapareceu
B) Os filhos foram levados pelas estrelas
C) Os filhos se transformaram em corvos
D) A casa pegou fogo
Gabarito: C

Questão 04 – D05 O principal tema do conto é: 

A) A desobediência das crianças
B) O amor fraternal e o arrependimento
C) A raiva e seus castigos
D) A força da mãe na família
Gabarito: B

Questão 05 – D08 Qual a reação da menina ao saber da história de seus irmãos? 

A) Revolta contra os pais
B) Determinação em salvá-los
C) Desinteresse pelo passado
D) Tentou convencer os irmãos a voltarem sozinhos
Gabarito: B

Questão 06 – D11 Ao cortar o próprio dedo para abrir a porta, a menina demonstra: 

A) Vaidade
B) Pessimismo
C) Altruísmo e coragem
D) Desejo de vingança
Gabarito: C

Questão 07 – D03 O ossinho dado pelas estrelas simboliza: 

A) A fé cega da menina
B) A ajuda mágica concedida pela bondade
C) O sofrimento dos corvos
D) O medo da morte
Gabarito: B

Questão 08 – D12 A expressão “foi boca de gente” repetida pelos corvos indica: 

A) Suspeita e surpresa
B) Tristeza e fome
C) Alívio e esperança
D) Desespero e medo
Gabarito: A

Questão 09 – D09 Pode-se concluir que a irmã tem como maior qualidade: A) Persistência e bravura
B) Beleza e simpatia
C) Habilidade com magia
D) Desejo de ser famosa
Gabarito: A

Questão 10 – D07 O uso da expressão “voando de um lado para o outro” no trecho que descreve os corvos simboliza: 

A) O fim da esperança
B) A liberdade dos filhos
C) A confusão e a transformação
D) A chegada da tempestade
Gabarito: C

Questão 11 – D04 Que tipo de narrador predomina no conto? 

A) Personagem protagonista
B) Observador onisciente
C) Narrador testemunha
D) Narrador em primeira pessoa
Gabarito: B

Questão 12 – D02 Por que os pais escondem da filha a existência dos irmãos? 

A) Tinham esquecido dos filhos
B) Tinham medo de que ela fugisse
C) Tinham vergonha do que aconteceu
D) Para poupá-la do sofrimento
Gabarito: D

Questão 13 – D10 O trecho "mas a criança era franzina e miúda" tem como objetivo: 

A) Causar pena da criança
B) Indicar a necessidade do batismo urgente
C) Mostrar que ela morreria cedo
D) Justificar a ausência dos irmãos
Gabarito: B

Questão 14 – D06 Que obstáculo a menina encontra no fim da jornada? 

A) Um abismo profundo
B) Uma montanha de gelo
C) Uma montanha de vidro sem chave
D) Um castelo encantado
Gabarito: C

Questão 15 – D01 Qual o papel do gnomo na narrativa? 

A) Guardião dos corvos
B) Criador do anel da menina
C) Guia e ajudante no momento final
D) Príncipe encantado
Gabarito: C

Questão 16 – D05 Qual valor está presente na atitude final da irmã? 

A) Autonomia
B) Vingança
C) Comprometimento com a família
D) Desapego
Gabarito: C

Questão 17 – D13 O anel jogado no copo tem a função de: 

A) Enfeitar o ambiente
B) Testar a magia da comida
C) Mostrar aos irmãos quem os procurava
D) Provar que a menina era uma princesa
Gabarito: C

Questão 18 – D11 Pode-se afirmar que o conto critica: 

A) A infidelidade conjugal
B) O egoísmo das crianças
C) O excesso de rigidez dos pais
D) O poder dos animais
Gabarito: C

Questão 19 – D08 O encontro com o sol, a lua e as estrelas mostra: 

A) O fim da esperança
B) A coragem da menina diante do desconhecido
C) O fim da magia
D) A volta para casa
Gabarito: B

Questão 20 – D09 Ao final da narrativa, os personagens experimentam: 

A) Medo e perseguição
B) Traição e injustiça
C) Alívio e reconciliação
D) Castigo e raiva
Gabarito: C

Entendendo o conto:

01 – Quem são as personagens principais? E as personagens secundárias?

      As personagens principais são a mãe, o pai, os sete filhos e a menina. As secundárias são o Sol, a Lua, as estrelas, a Estrela D’Alva e o anãozinho.

02 – Quais são os cenários onde a história se passa? É possível descrevê-los?

      Inicialmente, a história se passa no local onde a família vivia, que ficava perto de uma fonte. Não há elementos suficientes para descrevê-lo. Depois, a menina chega ao fim do mundo, onde estão o Sol, a Lua e as estrelas. Ela termina na Montanha de Cristal, onde vivem seus irmãos. Este local tem um portão que pode ser aberto com um osso e tem um anão como guardião.

03 – Quem está narrando esse conto? Um narrador-personagem ou um narrador-observador?

      Um narrador-observador.

04 – Ele é narrado em 1ª ou em 3ª pessoa?

      É narrado em 3ª pessoa.

05 – O que acontece na história (qual é seu enredo)?

      Um casal que tinha sete filhos homens, esperava o nascimento de sua primeira filha, no dia em que os meninos foram buscar água para o batismo da recém-nascida, que era muito fraca, uma maldição lançada pelo pai os transformou em corvos. A menina cresceu sem saber sobre a história dos irmãos e quando a descobriu saiu pelo mundo em busca deles. No percurso, ganhou um objeto mágico (um osso) da Estrela d’Alva, capaz de abrir o portão da Montanha de Cristal, lugar no qual os irmãos viviam. Ao perder o objeto, cortou um pedaço de seu dedo para poder entrar no local. O reencontro transformou os corvos em humanos novamente e todos ficam felizes e voltam para casa.

06 – Qual é o momento de maior tensão na narrativa (clímax)?

      O clímax ocorre quando a menina perde o ossinho que ganhou da Estrela d’Alva com o qual abriria o portão da Montanha de Cristal onde seus irmãos viviam.

07 – Como o problema se resolve (qual é o desfecho)?

      O problema se resolve com a menina cortando um pedaço do próprio dedo para servir de chave e abrir o portão.

08 – Na sua opinião, os diálogos são importantes na história?

      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Os diálogos representam a fala das personagens, o que aproxima o texto do leitor, conduzindo a narrativa para o momento em que é feita a leitura.

09 – Que conflito impulsionou a trama da narrativa?

a)   O casal não conseguia ter uma filha, apenas meninos.

b)   A menina nasceu com a saúde debilitada.

c)   A falta de água para batizar a menina.

d)   As crianças não queriam uma irmã.

10 – Releia um trecho do texto: “Mas, ao mesmo tempo, ficaram muito preocupados, pois a recém-nascida era pequena e fraquinha [...]”. O que explica a preocupação dos pais?

a)   Eles não acreditavam que a criança sobreviveria.

b)   Eles temiam que a criança ficasse muito pequena.

c)   Eles acreditavam que a criança seria muito magrinha.

d)   Eles tinham receio de que a criança não se desenvolvesse.

11 – As formas verbais “caiu”, “mandou” e “falou” transmitem ideia de:

a)   Tempo futuro.

b)   Tempo presente.

c)   Tempo passado.

d)   Situação atemporais.

12 – No trecho: “Os meninos ficaram sem saber o que fazer”, a expressão destacada indica que os meninos estavam:

a)   Amedrontados.

b)   Encantados.

c)   Ansiosos.

d)   Confusos.

13 – Quais personagens são citadas no trecho da história?

a)   Um homem e seus sete filhos.

b)   Sete corvos e um bebê recém-nascido.

c)   Um homem, seus sete filhos e uma recém-nascida.

d)   Um homem, seus sete filhos, uma mulher e uma recém-nascida.

 

  

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